Segunda-feira, 12 de Setembro de 2005

OLÉ...

Estando por Lisboa, sempre defendi e valorizei o Alentejo, mesmo perante algumas pessoas que continuam a achar que nas planícies só vivem uns quantos preguiçosos e que nada se faz, alguns até julgavam, outros ainda julgam, por incrível que pareça, que a pedra mármore sai do subsolo já em blocos, como os viam nos transportes... e perante tantas e tão reles opiniões, lá vou fazendo o meu humilde papel. Isto leva-me à razão destes desabafos... e atenção, esclareço já que compreendo e respeito os que gostam de touradas e os que não gostam, detesto é "fundamentalismos de quaisquer natureza"...

TOURADA... (parte UM)

...as touradas, mas em especial uma, ou a primeira de duas (se calhar até há mais, mas de momento fico por estas), é tradição nacional, quer se goste ou não. E desde que me conheço, sempre soube da existência de uma terra Alentejana, orgulhosa das suas tradições e desde sempre desvalorizada pela indiferença do resto do país, só que de repente, falo de há alguns anos atrás, uns senhores, daqueles que protegem os animais, começaram a falar de "barbáries" cometidas na desconhecida (para a maior parte do país) Barrancos, e que por lá havia uns fulanos que desafiavam a Lei do país, etc. etc., e logo com a necessidade de aumentar as audiências das tv´s, rádios e jornais, se deslocaram de armas e bagagens, sempre que começavam as tradicionais festas. Era vê-los de toda a parte a dizer, fazer e acontecer, ele era ministros, governadores civis, presidentes de câmara, oposição... tudo protestava, falava, opinava, enfim tempo de antena, era o que importava. Por mim, sempre disse, "só se lembram de Barrancos por isto (excepção feita ao ridículo "zé das galinhas"), o resto que faz falta para desenvolver, investir, promover uma terra isolada, não interessa - sempre foi assim e vai voltar a ser quando a moda das touradas de morte de Barrancos deixarem de ser notícia". Acertei, as festas continuam a ser o que sempre foram, os barranquenhos vivem-nas como sempre, apenas com mais desafogo e liberdade e desde que criaram a ridícula lei das excepções tradicionais, Barrancos já não interessa, vá lá que os enchidos são mesmo bons e a tradição ainda é o que era...e a comunicação social desapareceu da planície...


TOURADA... (parte DOIS)

...enganem-se, eles estão de volta, e agora viraram-se de armas e bagagens para, pasmem-se, Monsaraz. Pois, a vila medieval voltou a ser invadida (não por mouros ou castelhanos) e como não foi englobada na excepção, já há noticia e toca a aumentar as audiências, é que estes bárbaros Alentejanos que viviam em Barrancos, agora moram em Monsaraz e voltaram a inventar a "tourada de morte". 

Eu, que me lembre fui uma vez às festas de Monsaraz, já foi há muito tempo, ouvi por lá, na companhia de uns amigos da altura, naturais de Reguengos, o(s) Trovante (vejam bem há quantos anos foi), e nesse ano, também vi a tourada, também vi a morte do touro e também fiz parte da tradição de comer a carne resultante da festa, e garanto que estava deliciosa - o que faz de mim um Bárbaro Alentejano... Pois, amigos de Monsaraz, preparem-se que até haver uma solução semelhante à de Barrancos, a cada ano que passar a confusão e o tempo de antena (negativo, pois claro) vai aumentar, é claro que só uma vez por ano. Mas desenganem-se, pois se for preciso investimento, por exemplo para restaurar muralhas, casas ou património, isso já é mais difícil e o tempo de antena para as queixas não virá. Depois não digam que eu não avisei... Boas Festas para o ano, como sempre aliás, e não se esqueçam de tapar o touro na altura da "matança".


TOURADA... (parte TRÊS)

...já que falo de touradas, deixem que relembre um artigo aqui colocado sobre a vergonhosa história da Praça de Touros de Estremoz, linda, centenária e desaproveitada, ao ponto de ser ultrapassada por uma qualquer praça desmontável... leiam se quiserem, está uns dias atrás neste blogue perto de vocês... se quiserem!

Por mim, cá vou continuando, como é que dizia o outro... ah "com a cabeça entre as orelhas" a ouvir ignorantes que não percebem um povo e quando lá vão não fazem nada por o entender, desde que comam, bebam e durmam em condições... só que o Alentejo é mais que tudo isso... o Alentejo é acima de tudo - os Alentejanos.

Nunca se esqueçam que quando não se dá valor e condições para o desenvolvimento local, também não devem interferir nas suas tradições e modos de vida, é que por lá ninguém quer estar "orgulhosamente sós", mas se é isso que cada vez mais fazem, desistam, que "nós" somos "orgulhosamente Portugueses... e como é claro, Alentejanos", percebem?

Eu percebo e a maioria de vocês também e isso é que interessa... os outros, olhem, sejam felizes.

António José Ramos às 20:30
link | diz lá tu
6 comentários:
De Anónimo a 25 de Setembro de 2005
Excelente artigo... E o meu muito obrigado, porque sou de Monsaraz.
JG
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(mailto:JG@sapo.pt)
De Anónimo a 14 de Setembro de 2005
Completamente de acordo com o exposto.lumife
(http://bxalentejo.blogspot.com)
(mailto:lumife@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2005
Gostei bastante do teu artigo, é uma opinião bastante válida, neste país só se é noticia pela negativa ou por situações politiqueiras, levando muitas das vezes ao desespero certas comunidades locais, em que muitas das vezes os abutres da noticia sensação, levam uma população á exaustão como foi o caso de Barrancos, vale que venceu a batalha e deixou de ser noticia. Quanto a Reguengos desde que me conheço que essa tradicão existe e lembro-me de em tempos idos, o Licinio (leça) falar dessa tradição, os pais dele eram oriundos daquela zona. Penso que um dia Reguengos à semelhança de Barrancos, terá o seu regime de excepção. Agora cá do burgo, pena é que uma praça que tem três mil sócios aproximadamente, não tenha uma assembleia plenária em que cada um contibuisse, com 20 euros para a reconstrução da praça o que daria 60.000 euros, no entanto nos dias em que há corridas eles têm os bilhetes oferecidos e ai já são sócios, na reparação dizem "é pá não me falem nisso a câmara é que deveria reparar". Aqui até têm razão, mas deveria sim era expropriar o edificio torná-lo propriedade sua, fazer obras de restauro, e dar uma utilização ao espaço condigna, quer no ambito dos espectáculos taurinos, como na realização do mais mais variado tipo de espectáculos, entre os quais lembro aqui alguns, tais como: musicais, equestres, convivios das escolas tipo festival de encerramento do ano lectivo, em que todas as escolas actuariam umas para as outras. Enfim há uma panóplia de situações que se poderiam criar naquele espaço. Fico por aqui, senão o comentário fica tão grande como o Artigo. Albino
</a>
(mailto:entejo@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2005
Parabens, grande artigo, este valeu, já agora só p/ nós relembro-te que hoje é dia 13 Setembro. BjsCristina Ramos
</a>
(mailto:hcristy71@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2005
De blog em Blog descobri mais um recanto alentejano! tão bom para "matar" saudades que nunca irão acabar.isabel
(http://www.asassaoparavoar.blogspot.com)
(mailto:palavrasapetrechadasdeasas@hotmail.com)
De Anónimo a 13 de Setembro de 2005
Muito bem Compadre e em Monsaraz lá se matou outra vez o touro. antonio caeiro
(http://monsarazemfotos.blogspot.com/)
(mailto:antoniocaeiro@sapo.pt)

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