Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005

5 de Outubro... comemoramos o quê?

Por vezes dou por mim a pensar… o que seria desta República…

…se ao invés de termos como legitimo herdeiro do trono de Portugal, tão fraca figura, quer em termos de popularidade e influência sobre um povo, quer como alguém que se movimentasse bem nos meios políticos nacionais e internacionais, tivéssemos uma personalidade forte que aglutinasse opiniões e vontades, recolhesse apoios e “nos” desse um novo rumo, será que a República como a que temos hoje, aguentaria?

Começo a pensar que não… só que isso não existe, o “nosso” rei, simplesmente não existe, há até quem coloque em causa se será realmente este Duarte o herdeiro de um trono escorraçado e destruído, certo que muitas das vezes, senão a maior parte delas, por culpa própria, tal a forma como neste país, sempre se ignorou o povo, mesmo com as tamanhas provas de grande devoção nacional dadas desde Viriato.

Fosse um qualquer “João de Bragança” ou “Afonso de Avis”, alguém que elevasse a moral deste povo e que conseguisse reunir as hostes e… oh oh aqui vai República, ou pelo menos conseguiria tornar isto num sistema misto, qual Espanha, Inglaterra, Suécia, Holanda, Bélgica ou Dinamarca. Não sei… não sou monárquico (especialmente no que por cá temos), mas também, muitas das vezes, dou por mim a pensar se serei repúblicano.

É que noutras circunstâncias, certamente já teria havido mais uma das nossas revoluções pacíficas e lá estávamos a comemorar a "Restauração da Monarquia".

“Fui” falar com compadre “Geraldo Sem Pavor” e não é que ele, como eu, em muitas coisas pensa de igual forma… então não é que conseguimos enganar os nossos filhos com as coisas positivas da história, moldamos essas história às nossas conveniências e esquecemos e/ou apagamos tudo o que pode não nos interessar… isto a propósito do dia 5 de Outubro de 1910, a implantação da República. Será?

Eu digo que não e o "Geraldo" passou pela história e conta-nos outra versão, verídica e baseada em factos, eu apoio e considero o mesmo, e até questiono o porquê de neste país não se comemorarem todas estas datas com feriado:
Fundação de Portugal
Inicio da 2ª Dinastia
Inicio da 3ª Dinastia
Inicio da 4ª Dinastia
Implantação da República
Implantação do Estado Novo
Revolução de Abril
Todas estas são datas históricas para a nação, goste-se ou não, foram viragens nos destinos do país e se comemoramos “o feriado mais estúpido” (pela sua -não- razão de ser...) como o 5 de Outubro, porque não os outros… Deixo-vos o texto do amigo “Geraldo Sem Pavor”, tirem as vossas conclusões e já agora, quando cada vez mais se fala em retirar feriados a bem do desenvolvimento do País, porque não começar por este, não sei se vou gostar mas que penso, lá isso penso… e se penso... existo. 

“Concorde-se ou não com o 25 de Abril é a data legitimadora do regime que se vive hoje. É indiscutível que deve ser celebrado pois está na génese da forma como vivemos hoje, para o bem e para o mal. Outros prefeririam, talvez, que não houvesse tantos feriados "católicos" em Portugal. Contudo de todos os feriados existentes em Portugal nenhum é tão estúpido e desadequado como o 5 de Outubro e isso deveria ser um dado pacífico entre todos os portugueses democratas e conhecedores da história do seu país. Já deveria ter acabado há muito tempo.
Embora vivamos em sistema republicano, monárquicos e republicanos concordarão certamente que a vilania que se realizou depois de 5 de Outubro de 1910 nada tem a ver com o país que temos hoje.
O que nasceu em Portugal a partir desse dia foi a legitimação "de jure" de uma república que já o era "de facto" desde a vitória dos liberais no século XIX. Tal república é muitas vezes criticada pelo desnorte e falta de rumo que imprimiu ao país. As pessoas tendem a olhar para a Iª República como uma espécie de segundo governo de António Guterres. Nada mais ingénuo... O problema foi mais grave.
Os republicanos tinham de facto um primeiro objectivo que se esgotava facilmente. Esse não era outro senão matar a monarquia. A tarefa foi facilitada pelos sucessivos anos de liberalismo e destruição de todas as estruturas do antigo regime, sobretudo da Igreja. Um belo dia o destino de milhões de portugueses, espalhados por 3 continentes, foi mudado por meia dúzia de radicais de esquerda entre a Avenida da Liberdade e a Praça do Município.
Instaurou-se em Portugal a mais sanguinária e tirânica ditadura jamais existente. Sete anos antes da Rússia, Portugal foi o primeiro país da Europa a ser governado pela esquerda radical, firmada num gigantesco e complexo organismo chamado Partido Republicano Português, chefiado pelo sinistro Afonso Costa.
Onde o Estado Novo teve presos políticos, a Iª República teve esquadrões de morte para os opositores. Onde o Estado Novo teve censura, a Iª República teve jornais fechados por decreto arbitrário. Onde o Estado Novo lutou para defender a soberania em África, a Iª República mandou lutar para África, no massacre da Flandres e ainda lhes cuspiu em cima quando voltaram. Onde o Estado Novo ilegalizou o comunismo, a Iª República roubou tudo o que pôde à Igreja Católica.
A máquina gigantesca, violenta e poderosa do PRP apropriou-se do Estado. Ninguém ia ao Estado senão por ele. Tão brutal foi esta ditadura que as pessoas não a puderam suportar mais que 15 anos. Caiu odiada e sem deixar saudades a ninguém.
É a implantação deste regime que vamos celebrar mais um vez dentro de dois dias... Festeje-se a República. Nada a opor. É o regime em que vivemos. Mas porquê o maldito 5 de Outubro?”
Texto de Luis Tirapicos Nunes no www.geraldosempavor.blogspot.com

António José Ramos às 08:36
link | diz lá tu
4 comentários:
De Anónimo a 11 de Outubro de 2005
o post do estremocense só destila ódio aos monárquicos. os anos que se seguiram ao golpe de estado da república foram dos mais tristes e sangrentos da nossa história. se com a monarquia estava mal, depois só mudaram as moscas... os primeiros lideres repúblicanos, debaixo das ordens da maçonaria internacional, já queriam "socializar" e "comunizar" o país; mas isto não explica a actuação na I G Guerra, pois não? havia, sobretudo, que manter as colónias de áfrica; mas o país monárquico é que era explorador... recalcamentos monárquicos? e isto não são recalcamentos repúblicanos? que impuseram a república com um golpe de estado. porque é que a constituição, tem que ser e defender a república? porque não alterá-la e fazer um referendo? têm medo de quê?rodolfo
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(mailto:rodolfo@sapo.pt)
De Anónimo a 6 de Outubro de 2005
....parte da madrugada à espera que o meu pai fosse atendido no hospital ... e a manhã a percorrer 30km à procura da farmácia que estivesse de serviço e que não tivesse os medicamentos receitados esgotados ... também me faz questionar ...à motivos para celebrar o quê?...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt e membro do Movimento PR'ó Coiso em http://mprcoiso.blogs.sapo.pt
js
(http://politicatsf.blogs.sapo.pt)
(mailto:jfsilvasousa@hotmail.com)
De Anónimo a 5 de Outubro de 2005
concordo plenamente!!!!!!
cristina ramos
</a>
(mailto:hcristy71@sapo.pt)
De Anónimo a 5 de Outubro de 2005
Os monárquicos serem foram maus a atacar a República e o Blog do Geraldo mostra isso mesmo. A instalação da República significou a separação Estado Igreja, o tratamento igual entre todas as religiões, significou um trabalho árduo para fundar milhares de escolas primárias em Portugal, significou o fim do tratamento desigual entre cidadãos (nobres, clero e povo), significou o fim da vilania dos Duques, Barões e afins (é esta malta que odeia principalmente a República porque perdeu privilégios). A República representou o começo de uma nova Era de esperança em Portugal, de amor ao serviço público, do acesso igual aos orgãos do Estado por parte de todos os cidadãos. Significou o fim de se NASCER SENHOR DE PORTUGAL. Eu agora voto em quem eu quero que me represente superiormente.
Portanto, quem maldiz a República são aqueles cujos Avós eram Barões disto, ou Condes das Berlengas. Eu sou com muito orgulho REPÚBLICANO, no meu sentir de servir a comunidade e na minha cidadania activa. Felizmente que a pesada bota que calcava o povo sem sangue azul, desapareceu naquele grande dia. VIVA A REPÚBLICA!
PS: Quanto à nossa presença na I Guerra, basta ler os livros para perceber o porquê da nossa actuação no teatro de guerra europeu. O resto são recalcamentos monárquicos... estremocense
</a>
(mailto:eu@hotmail.com)

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