De Joaquina Bernardino a 23 de Julho de 2009 às 23:45
O dia 25 de Abril de 1974, e os que se lhe seguiram, foram para os mais velhos, dia de dúvida, mas com um misto de muita esperança.
Para os mais jovens, como eu (16 anos, na altura), foi um muito grande ponto de ?, por desconhecer na altura o que o originou, e quais as consequências.
Ouvir logo às 7 h da manhã, o comunicado do Movimento das Forças Armadas, pela voz que arrepiava, pelo tom solene, do Joaquim Furtado, a pedir para não sairmos de casa, levou-me a acordar a minha tia, com quem vivia, em Setúbal, para perguntar se deveria ir á escola. Ouvi de resposta, "isto é em Lisboa, claro que vais".
Dirigi-me à Escola Comercial e Industrial de Setúbal, onde apenas tive as três 1.ªs aulas Inglês, Francês e Introdução à Política, nestas aulas inquirimos as professoras sobre o assunto, onde uma delas nos disse que por ser esposa de um oficial envolvido no golpe, não tinha notícias do marido desde o início da madrugada, última vez em que lhe telefonara, que estava muito apreensiva, mas que tinha muita esperança, que finalmente tivessemos liberdade. Na última aula, pela primeira vez, tivemos uma verdadeira aula de Introdução á Politica, apesar de já estarmos no terceiro período, a nossa professora explicou-nos nesse dia, como de facto a política funcionava em Portugal, e as consequências nefastas dela, que tinham levado ao "golpe de estado", foi a 1.ª vez que ouvi tal designação.
Os dias seguintes, foram uma sucessão de aprendizagens inesquecíveis, de esperança num futuro próspero, de abertura de possibilidade de igualdade de oportunidades para pobres e ricos.
E durante algum tempo, as coisas caminharam nesse sentido, depois começamos a retroceder, perderam-se a honestidade, a verticalidade, a esperança e tudo mais. Até que por qualquer forma, venha um outro 25 de Abril, que nos traga de novo o sonho, de um Mundo Melhor, dado que hoje tudo é global.
Comentar: