De António Prates a 2 de Maio de 2009 às 19:23
Enquanto esperava pela minha integração na primeira classe dos aspirantes a doutores fui surpreendido numa madrugada do mês de Abril, quando estávamos a pernoitar na casa de um tio meu, em Arcos: recordo perfeitamente o semblante da minha mãe, atemorizada, chorando copiosamente, enquanto conduzia uma Ford Transit, com a matrícula EG-72-49, e desabafava com estas palavras – Vem aí a guerra, filhos! Vem aí a guerra…! A ausência do meu pai transmitia-me um sinal de uma desordem obscura, e o facto da minha mãe nos levar para dentro do Mato das Carvalhas fazia-me antever uma instabilidade familiar, que me fazia perguntar constantemente à angústia da minha protectora – Mãe, atão o pai? A minha mãe respondia – Não sei filhos, não sei…! Passadas essas horas da manhã e as primeiras horas da tarde, regressámos à freguesia de Arcos, e finalmente encontrámos o meu pai, que vociferava entusiasmado – Caiu o fascismo! Viva a liberdade! Enquanto a minha mãe observava a euforia do meu pai com uma cara de desconfiança e de apreensão, prevendo: – A corda parte sempre pela parte mais fraca…!
E já passaram trinta e cinco anos!
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