Sinceramente, existem reportagens que custam ver na nossa TV, e então se o assunto diz respeito a crianças e estas são portuguesas, pior... tudo se torna "feio".
Isto a propósito do Repórter TVI - "um grau de separação" que a TVI passou no domingo após o "Jornal Nacional" e que falava sobre a inclusão de crianças com necessidades especiais de ensino nos estabelecimentos de ensino públicos e ditos "normais".
Dizia-se às páginas tantas que uma escola referida, era o exemplo da integração de uma criança cega numa turma de alunos sem as mesmas características e dificuldades. Até aqui o sonho e a igualdade de integração e oportunidades parece o desejado e o que todos gostaríamos, só que a realidade da referida criança, dos seus pais e da referida escola não é bem essa e chegamos ao limite do aceitável:
As aulas especiais que a criança necessita, "apenas" porque é invisual, SÃO DADAS NUMA ARRECADAÇÃO, pequena e cheia de materiais vários (por isso é arrecadação) e a professora que tem a seu cargo a criança nos períodos de actividade específica TEM DE COMPRAR DO SEU BOLSO muitos dos acessórios que a criança necessita para a referida aula.
Se isto já é mau para uma escola exemplo da integração, que dizer perante as respostas do Sr. Secretário de Estado da Educação quando confrontado com as questões:
Na primeira diz que "desconhece a escola e que se as aulas são na arrecadação terá que ser corrigido".
Na segunda, "se a professora tem de comprar do seu bolso é por falta de organização da escola".
Sinceramente não é isto que me choca (a isto o povo já vai ficando habituado, pois sacudir a água do capote é fácil), mais triste fico, é quando os exemplos da reportagem mostram casos semelhantes passados em várias escolas, com várias famílias e com muitas crianças especiais e que ao abrigo desta suposta "fantástica e desejável" integração plena na sociedade não se criam as condições para que ela exista.
Não há professores com formação para ensinar e acompanhar crianças invisuais, autistas, com paralisias e outras.
Não há auxiliares com preparação e em número suficiente para acompanhar as crianças no seu dia a dia escolar.
Não há escolas preparadas para acolher e proporcionar um ensino "especial" a estas crianças e conseguir a integração com as outras crianças.
Fica mesmo no ar que primeiro se fez a Lei, depois faz-se cumprir e agora ao sabor das dificuldades vão-se obrigando os pais a cumpri-la, sabendo, PORQUE É A VIDA DELES TODOS OS DIAS (que é isso que nós não nos lembramos, pois não os vemos sempre), que este plano maravilhoso do Governo não existe no nosso sistema de ensino e tenho sinceras dúvidas que exista em mais algum país. Crianças especiais necessitam de escolas e professores preparados para essas especialidades. Ou todos os professores e auxiliares deste País estão preparados "para mudar fraldas a meninos de 10 ou 15 anos"?
Por favor... não deixem no ar a ideia de que esta maravilhosa integração na educação pública não é mais que "ACABAR COM OS SUBSÍDIOS A INSTITUIÇÕES QUE ESTÃO PREPARADAS E EXISTEM PARA SERVIR AS NOSSAS CRIANÇAS ESPECIAIS"