Sábado, 25 de Abril de 2009

"eu, a 25 de Abril de 1974 fui... e tu?

Eu, no dia 25 de Abril de 1974, do alto dos meus 7 anos, e como o dia da semana era Quinta-Feira, lá fui caminho da Escola Primária de São Bento do Ameixial - verdade que não me recordo, mas que mais poderia eu ter feito (!?!).

 

A primeira lembrança - e única - que guardo, é estar no passeio em frente ao Regimento de Cavalaria nº 3 ( à altura, de Estremoz), talvez na Sexta-Feira, 26 ou no Sábado, 27, perto do Quiosque do Maniés, vendo passar e com toda a população a acenar e a festejar o regresso dos militares "estremocenses" ao seu quartel.

 

Foi este o meu 25 de Abril... de mais não me lembro. E o teu?

 

25 de Abril

Alentejanices...:
António José Ramos às 00:00
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6 comentários:
De Cristina Ramos a 27 de Abril de 2009 às 12:01
Pois é, eu com os meus 3 anitos acabados de fazer não me lembro de nada, mas possivelmente estaria com os avós em S. Bento do Ameixial ou então já estaria na cresce Rainha santa Isabel.
A única coisa que me lembro é de ver as nossas t-shirts do 25 abril, a minha vermelha e a tua azul. possilvelmente dias mais tarde.

De Sandra R a 27 de Abril de 2009 às 18:16
Pronto... eu já sabia... vocês são mesmo cotas!!!!
Eu ainda cá não estava!!!!

Beijinhos

De rosarita Ramos a 27 de Abril de 2009 às 22:41
Pois eu, do alto dos meus 7 anos, também tenho boa memória do dia 25 de Abril de 1974, já que mais não seja porque nesse dia praticamente não tivemos escola, pois se bem te lembras a nossa professora, a D. Laura, passou o dia juntamente com a minha mãe a ouvir as noticias que iam surgindo na rádio. Então qualquer noticia era mais importante que as contas de somar ou que as cópias e ditados. Depois, algum tempo mais tarde lembro-me dos chaimites e militares a seguirem para o Monte da Godinheira, do Dr. Luis Gomes, para defenderem aquela herdade dos invasores que a queriam à viva força ocupar. Era a então Reforma Agrária,que à época ocupou tudo o que não lhes pertencia.
E Sandra, é verdade que já somos um pouco cotas, mas também é verdade que já temos muitas e boas recordações de outros tempos, em que apesar de tudo existia mais honestidade, mais amizade, em que as pessoas não se atropelavam umas às outras para atingir os seus objectivos, ao contrário de agora, que não se olha a meios para atingir os fins, nem que para isso seja necessário passar por cima dos outros. Nesses tempos, na nossa escola eramos todos amigos, todos nos defendiamos uns aos outros e principalmente havia muito respeito pelos professores e pelos colegas mais velhos. Hoje, nos nossos empregos é o salve-se quem puder e não há respeito por ninguém, nem os superiores têm respeito pelos colaboradores, como agora é moda dizer-se, nem os colegas entre si têm respeito ou consideração uns pelos outros ou pelos mais velhos de cada serviço. É o uso e abuso da democracia e do poder que todos julgam ter sobre os outros. Neste sentido tenho saudades do 23 de Abril de 1974, que embora sendo muito novinha, já me tinha sido ensinado que o respeito pelos outros é a base de uma boa educação
De Francisco Ramos a 29 de Abril de 2009 às 21:42
Efectivamente assim é, infelizmente os seguidores do 25 de Abril, que não dos verdadeiros ideais da Democracia, tem sido o que sabemos e, mais o que estaremos para saber, ou não!...
Tem sido um fartai vilanagem, um desenfreado assalto ao puder, uma corrupção protegida e encapotada. Enfim.... Uma vergonha e uma verdadeira ofensa á DEemocracia, tão deseja á época. Óbviamente que não era esta que nóz desejàvamos.
Francisco Ramos
De António Prates a 2 de Maio de 2009 às 19:23
Enquanto esperava pela minha integração na primeira classe dos aspirantes a doutores fui surpreendido numa madrugada do mês de Abril, quando estávamos a pernoitar na casa de um tio meu, em Arcos: recordo perfeitamente o semblante da minha mãe, atemorizada, chorando copiosamente, enquanto conduzia uma Ford Transit, com a matrícula EG-72-49, e desabafava com estas palavras – Vem aí a guerra, filhos! Vem aí a guerra…! A ausência do meu pai transmitia-me um sinal de uma desordem obscura, e o facto da minha mãe nos levar para dentro do Mato das Carvalhas fazia-me antever uma instabilidade familiar, que me fazia perguntar constantemente à angústia da minha protectora – Mãe, atão o pai? A minha mãe respondia – Não sei filhos, não sei…! Passadas essas horas da manhã e as primeiras horas da tarde, regressámos à freguesia de Arcos, e finalmente encontrámos o meu pai, que vociferava entusiasmado – Caiu o fascismo! Viva a liberdade! Enquanto a minha mãe observava a euforia do meu pai com uma cara de desconfiança e de apreensão, prevendo: – A corda parte sempre pela parte mais fraca…!

E já passaram trinta e cinco anos!
De Joaquina Bernardino a 23 de Julho de 2009 às 23:45
O dia 25 de Abril de 1974, e os que se lhe seguiram, foram para os mais velhos, dia de dúvida, mas com um misto de muita esperança.
Para os mais jovens, como eu (16 anos, na altura), foi um muito grande ponto de ?, por desconhecer na altura o que o originou, e quais as consequências.
Ouvir logo às 7 h da manhã, o comunicado do Movimento das Forças Armadas, pela voz que arrepiava, pelo tom solene, do Joaquim Furtado, a pedir para não sairmos de casa, levou-me a acordar a minha tia, com quem vivia, em Setúbal, para perguntar se deveria ir á escola. Ouvi de resposta, "isto é em Lisboa, claro que vais".
Dirigi-me à Escola Comercial e Industrial de Setúbal, onde apenas tive as três 1.ªs aulas Inglês, Francês e Introdução à Política, nestas aulas inquirimos as professoras sobre o assunto, onde uma delas nos disse que por ser esposa de um oficial envolvido no golpe, não tinha notícias do marido desde o início da madrugada, última vez em que lhe telefonara, que estava muito apreensiva, mas que tinha muita esperança, que finalmente tivessemos liberdade. Na última aula, pela primeira vez, tivemos uma verdadeira aula de Introdução á Politica, apesar de já estarmos no terceiro período, a nossa professora explicou-nos nesse dia, como de facto a política funcionava em Portugal, e as consequências nefastas dela, que tinham levado ao "golpe de estado", foi a 1.ª vez que ouvi tal designação.
Os dias seguintes, foram uma sucessão de aprendizagens inesquecíveis, de esperança num futuro próspero, de abertura de possibilidade de igualdade de oportunidades para pobres e ricos.
E durante algum tempo, as coisas caminharam nesse sentido, depois começamos a retroceder, perderam-se a honestidade, a verticalidade, a esperança e tudo mais. Até que por qualquer forma, venha um outro 25 de Abril, que nos traga de novo o sonho, de um Mundo Melhor, dado que hoje tudo é global.

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